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Quem está lendo aqui de primeira, é aconselhável primeiro a leitura do anterior:
Em 1983, um programador da universidade da MIT se sente injustiçado por ter que pagar milhares de dólares por um software e ainda por cima não ter o direito de olhar e editar o seu código para adaptar-se às suas necessidades.

Nessa época, havia uma grande cultura hacker em que várias pessoas competiam em quem conseguia modificar o código do programa mesmo sem acesso ao seu código-fonte usando engenharia reversa¹, e Richard Matthew Stallman não era diferente. Mas deixando o lado obscuro, ele discordava da idéia de fechamento de código. Nesse mesmo ano ele publicou sua ideia do Manifesto GNU que só seria colocada em prática em 1984. GNU is Not Unix (GNU não é Unix) era um projeto de sistema operacional grátis e principalmente de código aberto, ou seja, o fonte do software estaria disponível para quem quisesse lê-lo e modifica-lo à vontade; e ainda uma alternativa ao Unix, aquele mesmo do outro artigo que já havia conquistado bastante popularidade entre empresas e universidades. Para um programa ser GNU, ele tem que seguir essas quatro regras:
0. Rodar o programa como se queira.
1. Estudar o código fonte e alterá-lo de como que o programa faça o que se queira.
2. Redistribuir cópias exatas quando se desejar, tanto doando quanto vendendo.
3. Distribuir cópias das suas versões modificadas quando se desejar.
Já em 1985, fundou a Free Software Foundation – uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo básico lutar pela liberação do fonte dos programas – e o sistema operacional GNU já estava quase todo completo e com ferramentas já bastante robustas como compilador, debugador e automatizador de compilação – softwares necessários para tornar “usáveis” os outros distribuidos com o código-fonte. Só estava faltando um pequeno detalhe: o kernel. GNU Hurdjá estava em desenvolvimento desde 1990 mas para você ter uma idéia de como estava o seu andamento, até o ano atual (2009) o projeto é considerado instável.
Seis anos depois, Richard Stallman conhece um finlandês que havia desenvolvido a base de um kernel que levava no nome uma mistura de seu primeiro nome com Unix; seu nome era Linus Torvalds. O Linuxjá existia havia um ano com seu código fechado, mas somente em 1992 a sua licença foi modificada para se “adequar” com a filosofia GNU. Começaria aí uma guerra fria sobre a quem deve-se “creditar” o sistema operacional que usamos (mesmo chamando-o de LINUX, com certeza você não usa somente o kernel; então você usa GNU/Linux), que Richard Stallman insiste que aprendamos a diferenciar Linux de GNU.
Para você ter uma idéia do que é o Projeto GNU, aí vai alguns softwares desenvolvidos por esse grupo e que seguem sua filosofia:
- GCC (compiladores)
- GIMP (editor de imagens)
- GNU Emacs (editor de textos)
- GNU Parted (ou gparted. particionador)
Agora você pode dizer pelo menos que entende o que é GNU, Linux e o porquê da briga Richard Stallman X Linus Torvalds. Deixo de tarefa extra o filme Revolution OS que fala bastante detalhadamente o assunto desse artigo, contando com entrevistas desses nomes e ainda primeiros empregados da Free Software Foundation. Domingo que vem sai o próximo. Até lá!
¹Engenharia reversa é basicamente o contrário da compilação. Na compilação, você transforma o programa em um executável. Na engenharia reversa, você usa o executável para tentar descobrir códigos em Assembly (linguagem de baixo nível).
Este artigo foi escrito por Irio Musskopf
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